"Na entada para a sala de embarque as duas mulheres estavam abraçadas. Se despediram com um singelo beijo, e cada uma seguiu para o que deveria ser seu caminho. Sem uma ou a outra saber se alguém olhou para atrás, apenas seguiram seus caminhos."
Isso poderia ser o começo ou o fim de algum livro de Nicolas Sparks, ou qualquer outro romance regado a muito drama, mas não, é apenas o final da história mais linda de amor (sim, porque essa foi de amor), que eu mesma tive.
E eu não gostaria de contar como foi triste, como foi simplesmente acabando, queria deixar de uma forma suave e, quem sabe, cômica, como as coisas aconteceram nesse dia (porque a historia toda, requer muito tempo, apenas saibam que foi a mais linda que alguém pode viver).
O relógio despertou as 7:15 da manhã, mas de que nada adiantava, pois já havia virado a noite pensando em como seria aquele domingo, que amanhacera de forma radiante, diferente de todos os outros dias da semana. Eu começava a me preparar para chegar até o aeroporto de Congonhas (cujo local nunca havia ido sozinha e menos ainda de trem).
Como toda paulistana preparada, coloquei uma blusa de frio na mochila, empacotei o que não poderia molhar, peguei o iPod e o carregador do celular, e fui andando até a estação. O dia já começou errado, porque na previsão do tempo do celular e a da Maria Julia Coutinho, dizia que ia cair um puta temporal, pensei ok, bora lá, que a vida continua, calor ce num vai passar e vai demorar até chegar lá. Sai de casa 7:40, o google maps, o waze e o site da SPTrans falaram que o percurso demoraria pelo menos 1:40, pelo mais curto, contando isso, chegaria lá pelas 9:20, e contando que de domingo o transporte publico leva meia hora pra cada, já calculei chegar pelo menos umas 10:30 lá né, a gente sabe como funciona São Paulo, mas não.. era alguém me gongando naquele dia, porque só isso explica eu chegar em exatas 1:20 depois. ou seja, fiquei igual uma palhaça rodando o aeroporto por 3:25, isso mesmo meus caros!
Ok, peguei o trem, não cai em lugar nenhum, vi vários bebados saindo da Paulista e perdendo a estação que desceriam, vi bebados deitando em mim, umas pessoas estranhas e até que eu cheguei na minha estação (a qual eu nunca nem tinha ouvido falar, porque da linha esmeralda eu só conheço Osasco e Grajaú, que são os pontos finais), e eu parei numa no meio disso tudo.. suave, até ai, andar de trem é igual carro, só que não pega transito e várias pessoas estranhas. Desci na estação Socorro, e socorro Jesus, onde que eu pego o ônibus nisso aqui? Não tinha nada, só uma rua super sem nada, segui até uma avenida, achei um ponto, perguentei pra um senhor se passava o Terminal Parque Dom Pedro II, ele não sabia.. beleza, segui para o outro ponto do outro lado da avenida, fiz a mesma pergunra pra uma mulher e ela me disse:
- Qual é a cor do ônibus? - eu olhei pra cara dela, morrendo de vontade de dar um soco, porque eu tava com uma puta cara de turista sem noção.
- Moça, não sei a cor, não conheço nada aqui, é a primeira vez.
- Olha não sei, pode ser que seja daquele outro lado lá, se for pela Washington Luis.
- Ai obrigada.
Pela milhonésima vez atravessei a avenida (que não basta ter 2 faixas de carro e 1 de ônibus, são 5 de carro e 2 de ônibus), cheguei no ponto, perguntei pra uma senhora, e ela me disse que era ali. Suave, acendi um cigarro, dei duas tragadas e chega o onibus, fiquei grilada, porque ja fazia mó cota que não fumava, joguei o cigarro, subi no bus e falei pra cobradora:
- Moça, me avisa quando estiver chegando no aeroporto? - ela me olhou com uma cara, que eu só fui entender 20 mil paradas depois.
Cheguei ao aeroporto ela me avisou, e eu percebi. ERA IMPOSSIVEL NÃO VER O AEROPORTO DO ÔNIBUS, QUE EU NUNCA PERDERIA O PONTO. Beleza, cheguei 8 e pouco da manhã, e teria que esperar até as 11:45h, suave, pelo menos não me atrasaria, e eu odeio me atrasar pras coisas. Fui acender meu cigarro, fumei, chegou um carioca, pediu meu isqueiro emprestado e sentou ali e começou a conversar.. logo comigo? Com tanta gente em volta fumando... (aliás, São Paulo tem a maior quantidade de fumante por m², e só uma pequena parte deles possuem isqueiro)... voltando, chegou um pessoal de uma banda pediram isqueiro, e assim foi até a hora que eu decidi. AGORA EU VOU COMPRAR OUTRO CIGARRO E DESCOBRIR ONDE FICA O DESEMBARQUE. Sim, sérios problemas em andar em aeroportos, nunca sei pra que lado são as coisas, achei o desembarque, fiquei lá na frente E CES NUM ACREDITAM, MARILIA LINDA MENDONÇA e todo seu staff passaram por la, e eu nem pra tirar foto e nem nada, porque sou timida.. beleza, mó cota lá esperando a Rainha da Razão (falo isso, porque ela mesma se entitulou assim).
Ai, o grande momento, ela chegou.. e lá de dentro, e ela vindo e caminhando, eu já comecei a tremer, as lagrimas começaram a escorrer mas falei fiquem ai, porque agora não é hora... adiantou bosta, nos abraçamos e elas decidiram sair, porque assim como meu cabelo, elas saem a hora que querem. A pessoa resolveu fumar, fomos, nos abraçamos e beijamos, voltamos, porque a bonitinha queria comer (eu passei 3 horas no aeroporto, comi coisas e fumei horrores, na hora do almoço estava sem fome).
Comeu, vimos o time do Praia Clube-MG no aeroporto, mas como eu não sabia o nome das meninas, só conhecia a cara, não quis tirar foto, muito poser né non?! Ai fomos la no fumodromo, começamos a conversar (entendam como a parte dificil, mas que não foi tão dificil assim, onde eu fui retardada e tentava fazer ela sorrir, porque chorar não ia ser legal), ela levantou e foi andando e disse Tchau! Demorei uns segundo e falei Mano, ce sabe que a gente pega o mesmo caminho né? e de novo a pateta aqui fez ela rir.
Corri atrás dela, demos os braços e a levei até a sala de embarque. Ela entrou, eu sai andando, não virei as costas e parei no primeiro segurança, que encontrei. PORQUE COMO BOA PESSOA QUE SOU, VI O CAMINHO PRA IR, MAS O DE VOLTA NÃO FAZIA IDEIA, ainda mais daquele jeito meio despedaçada.. enfim, vida que segue, ele me informou ter de atravessar uma passarela e pegar o terminal Guarapiranga.
Se tem uma coisa que eu odeio atravessar, essa coisa é passarela, não importa se passa sob uma rua, um rio ou o caralho a quatro, eu tenho um cagaço fodido em altura. e eu já estava com os labirinto tudo fodido das ideia, imagina né.
Atravessei, acendi um cigarro e falei agora vou fumar! Não, doce ilusão linda, seu ônibus chegou. Então, joguei o cigarro toda puta na rua, e um mendigo veio e pegou, pronto, as lagrima começaram a descer. Entrei no bus putona, com fone de ouvido, chorando (nem pra ser um dia chuvoso, tava um puta sol de RondoHell), paguei minha passagem e a mulher:
- Ce vai recarregar?
- Que? - a sonsa com fone não entendeu
- Ce vai recarregar seu cartão de onibus?
- Moça, nem tenho isso.
Fui e sentei no fundão, queria sofrer em silencio ouvindo minha evidencias e só, mas o problema, chegar até aquele ultimo assento! Mano, foi uma leve odisséia, porque tinha tanta gente, e era aquele busão sanfona ta ligado, mano, nunca fiquei tão mal numa viagem de onibus, pisei no pé do mesmo cara umas 3 vezes, bati a mochila na cara de um outro, porque eu queria o assento la de cima, e tinha que quase escalar. Enfim, sentei. Começou umas músicas no iPod e eu de boas lá,com as lagrima grudada na cara, ja tinha parado de chorar (até porque, não foi tão ruim e como muitos me disseram Vocês se acostumaram com a distância. E de fato, era a verdade, e porque eu ia sofrer por algo que ambas já sabiamos e tinhamos nos preparado? né non?)
Sentou duas meninas do meu lado, e eu pensei Caralho, onde eu tô? E onde que eu desço? Mano, to perdida. Vou perguntar pra essas duas com cara de mais passada que eu.
- Licença, vocês sabem onde que eu paro pra pegar a estação Socorro?
- Olha, a gente não sabe. Mas deve ser perto de onde a gente enxerga o trem. - eu fiquei tipo, caralho, sérião? não imaginei que fosse isso.
- Ai, obrigada, deve ser mais pra frente então.
- Sim, a gente ta longe ainda.
- Obrigada - suas sonsas, mora aqui e conhece menos que eu.
Beleza, desci do busão, sinal fechado para os carros, pensei Minha hora de atravessar essa mini avenida, engano meu, o semáforo abriu, e os carros alguns sairam e outros buzinando e eu lá, correndo, sorte que não tropecei. HA LUCIFER RIU e instantes depois, tropeço. Cheguei na estação, acendi um cigarro, esse consegui fumar, ai fui comprar o bilhete, mas eu estava soluçando e comecei a contar as moedas, até dar 3.80, e elas não passavam pelo baguio de moeda e eu entrei em desespero e chorei de novo, e a moça olhou pra minha cara, entregou o bilhete e pronto, subi as escadas e fui para o trem.
Agora to suave, não tem quase ninguém na estação, eu to com o nariz vermelho, mas ta de boa, segue o baile. O trem chegou, fui entrar, uma porrada de gente, e adivinha? Isso mesmo, Lucifer falando, hoje não é seu dia linda, ta vendo esse degrau? não né, vai tropeçar e beijar o chão. Mas ele se enganou, não beijei o chão, mas tropecei.. depois de horas, finalmente cheguei em casa. E cá estou eu hoje, escrevendo.
E sabe, mesmo sendo uma história que não acabou como nos contos de fada, ainda assim, foi a minha história, e eu a vejo, agora, de uma forma divertida. Porque em momento algum, foi algo que nenhuma esperava. E EU NÃO IA ALGEMAR A MENINA E FALAR "VAI FICAR PRO RESTO DA VIDA AQUI E FODA-SE", esse foi o certo a se fazer. e ainda assim, eu continuo amando-a!
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